Os carros sem motorista

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Os carros sem motorista

Se você resolver dar uma volta pelos Estados Unidos e de repente vir passando um carro sem motorista, não precisa limpar a lente dos óculos: ele é a mais recente novidade da Google e do Uber – sim, do Uber. O primeiro ainda deve levar um tempinho para ser visto com frequência nas ruas brasileiras, já que só o protótipo, sem acessórios ou luxos, do Toyota Prius custa cerca de R$ 100 mil aqui no Brasil. Já a Uber começou seus testes pela cidade de Pittsburgh na Pensilvânia, com um modelo Ford Fusion híbrido que já está fazendo um mapeamento de dados da cidade. Mas se o carro experimental do Centro de Tecnologias Avançadas da Uber ainda está em sua fase muito inicial, a Google já anunciou para 2020 o início das vendas de seu carrinho de condução autônoma. Com as customizações tecnológicas, estima-se que o valor chegue aos R$ 400 mil por aqui.

Google prevê carro sem motorista já à venda em quatro anos

Equipado com um sensor de raios laser que mapeia ininterruptamente os arredores identificando obstáculos, os carros da Google já rodaram mais de 1,5 milhão de quilômetros em ambientes controlados antes de ganharem, agora, as ruas na sua fase final de testes. Todas as informações são passadas para o computador de bordo que, por sua vez, “assume o volante”: é ele que toma todas as decisões com a ajuda de alguns recursos, como câmeras de vídeo GPS, etc.

Mas ele ainda não consegue identificar, por exemplo, se está chovendo ou se o carro está sendo lavado, se o guarda de trânsito manda encostar ou se há um pedestre atravessando fora da faixa. Isso porque ele traduz o mundo em caixas, cercas e caminhos coloridos: caixas amarelas são pedestres as rosa são veículos e as vermelhas são ciclistas. Já as cercas verdes são objetos que podem afetar a velocidade do carro e as vermelhas são área de parada – e se o caminho é verde, é por lá que ele deve seguir seu trajeto. A expectativa da gigante da internet no entanto, é que em quatro anos tudo esteja resolvido.

Ford e Volvo criam coalização para promover a direção autônoma

O carro da Google pode ser o mais adiantado, o da Uber estar na fase inicial de testes, mas a verdade é que a história de carros sem motorista é um velho sonho do mundo tecnológico e no qual tem muito mais gente apostando do que parece a princípio. A Lyft, um outro serviço de transporte privado americano, também já está com seu projeto em andamento e as tradicionais Ford e Volvo uniram-se para a criação da Coalizão de Condução Autônoma para Ruas Mais Seguras, uma organização que pretende promover o gênero nos EUA.

A ideia é atender ao público em geral, mas com um certo foco em um público bem específico: o de idosos, deficientes físicos e pessoas com problemas de mobilidade em geral. O problema é que, além do alto custo dos carros sem motorista, há toda uma questão de segurança e também de escolhas morais e responsabilidades jurídicas – principalmente em questões onde até agora apenas o senso humano é capaz de decidir.

Se uma criança atravessa a rua correndo e para desviar é preciso bater o carro com seus passageiros, qual a escolha correta, em um exemplo bem simplificado – e sobre quem cairá a responsabilidade da decisão que for tomada? Será necessária toda uma reformulação dos códigos de trânsito? Essas são apenas algumas das perguntas ainda sem resposta que os avanços tecnológicos vem trazendo.